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Empreendedorismo como Habilidade Estratégica para Advocacia

O ano de 2020 deu uma profunda sacudida em nossas vidas diárias. Mas se há alguma beleza que veio dessa pandemia, é que estamos reorganizando nossas prioridades para compreender o que realmente importa. E neste sentido, para muitos, a carreira está no topo da lista.

Se você deseja prosperar e continuar a desenvolver a sua advocacia, trabalhar as competências empreendedoras são a chave para isso.

Quando se fala em empreendedorismo, muitos pensam que se refere exclusivamente a ter o próprio negócio. Entretanto, empreender vai bem além disso. Tem a ver em com a maneira como você conduz a sua carreira com visão, foco, determinação, adaptabilidade, protagonismo, pensamento crítico, liderança, gestão do seu tempo, tomada de decisão…

Profissionais empreendedores não apenas são criadores de ideias, mas também estão dispostos a colocar a mão na massa para botá-las em ação, a fim de atingir os objetivos pretendidos.

E não é preciso ter talento para isso. Quando falo em competências empreendedoras, estou me referindo a um punhado de habilidades que os profissionais do Direito podem desenvolver para ter sucesso.

Em primeiro lugar, é importante falar sobre adaptação.

Para se adaptar, hoje em dia, é preciso aprender a canalizar o nosso foco de energia em direção a objetivos bem estruturados.

Afinal, num mundo de grandes mudanças e oportunidades, é um tanto quanto contraintuitivo e fora da nossa capacidade humana acreditar que teremos a capacidade de acompanhar tudo e nos adaptarmos ao que vier numa linha de deixar apenas o fluxo da vida nos levar e caminhar de acordo com o que ela apresenta.

Se deixarmos as coisas andarem nesta linha é muito mais provável que o nosso corpo não aguente, a nossa mente fique exausta, gerando uma “pane no sistema”. Nestas horas, a paralisia, a angústia, a ansiedade e a frustração vão ganhando espaço. Vejo muitos profissionais passando por isso.

Assim como um empreendedor de um negócio, é preciso ter uma visão, objetivos claros para a sua advocacia.

Para termos resultados significativos é preciso fazer um planejamento estratégico da carreira, ao mesmo tempo em que criamos pontos de controle bem estabelecidos para correção de curso conforme surgem novas circunstâncias e informações. Isso é essencial para termos motivação e foco, bem como desenvolver a nossa resiliência e determinação.

Quando clareamos a nossa visão de futuro, alinhada a um propósito e significado, traçamos um plano de ação, criando uma linha de base, que também aumenta as chances de termos bons resultados, até nas tomadas de decisão.

Gostar de aprender. À medida que o mercado vai mudando, a automação vai substituindo o advogado em tarefas operacionais, a IA vai tomando mais corpo e os novos modelos de trabalho se reconfiguram, a aprendizagem do advogado precisa ser contínua. Desenvolver táticas e mapear o aprendizado para o nosso crescimento se torna cada vez mais um grande diferencial.

Ter otimismo e acreditar em si. Pessoas otimistas e autoconfiantes acreditam na sua capacidade de sucesso. Elas se concentram não naquilo que pode dar errado, mas nas oportunidades disponíveis.

Quando temos um mindset empreendedor a capacidade de assumir riscos calculados e aceitar a incerteza é melhor do que a maioria.

Gostar de pessoas e desenvolver a sua liderança. O direito é uma profissão de pessoas, para pessoas, com pessoas. Como diz Simon Sinek

“100% dos funcionários são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.”

Aprender a se comunicar de forma eficaz, ter empatia, escuta ativa, construir bons relacionamentos são competências essenciais. Sem estas habilidades interpessoais, um advogado empreendedor fica limitado. Não construímos nada significativo sozinhos. Precisamos de mãos colaborativas para enriquecer as nossas vidas.

E por fim, mas não menos importante, coragem. Não dá para falar em habilidades empreendedoras sem mencionar a coragem.

Ela não significa comportamentos precipitados, improdutivos ou irracionais, mas tomar atitudes, decisões, entrar em ação. Agir requer coragem. A coragem permite que caminhemos atrás dos nossos objetivos, criemos as nossas próprias oportunidades e busquemos o que queremos, ao invés de nos permitirmos ficar à margem.