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Você sabe usar o Storytelling na sua Advocacia?

“Storytelling” pode parecer palavra estranha para a profissão Direito, que se concentra em atividades tão técnicas e acadêmicas, como redigir contratos, escrever peças jurídicas, pensar em teses, pesquisar jurisprudência, etc.

No entanto, a crescente concorrência que se enfrenta hoje no Brasil, mais de 1.300.000 advogados inscritos na OAB Nacional, exige que os profissionais se esforcem para superar expectativas e descobrir novas abordagens, a fim de se destacarem da multidão.

O advogado pode pensar em si mesmo como estudioso do Direito e operador da ciência jurídica, e portanto, preferir apresentar fatos e números, ao invés de contar histórias.

No entanto, ter um novo olhar para este recurso, que é um diferenciador único pode trazer excelentes resultados profissionais.

Nos mais diversos aspectos, criar um conteúdo atraente para envolver pessoas interessadas nos seus serviços é uma excelente forma de se diferenciar e atingir estes objetivos.

Claro, uma história não é apenas composta de personagens, nem é somente uma recitação de fatos. É preciso ter um enredo.

Fatos e números são mais fáceis de serem absorvidos e registrados por computadores. As pessoas dificilmente se lembram deles, a menos que estejam efetivamente envolvidas e atentas ao que está sendo contado.

Pegue por exemplo, as tomadas de decisões. Elas envolvem persuasão e esta, por sua vez, requer emoções.

As emoções exigem menos esforço do que a lógica… portanto, as decisões baseadas na emoção são feitas mais rapidamente do que aquelas que instigam o lado racional.

Em tribunais, os advogados costumam construir narrativas naturalmente, tecendo a cronologia dos eventos e atos na forma de uma história para gerar respostas emocionais e criar uma base para empatia.

Contar histórias é uma estratégia importante para o crescimento. Por meio do uso da narrativa, os advogados podem fomentar as conexões emocionais que criam um significado, a fim uni-los às partes interessadas.

ADVOGADOS TÊM HISTÓRIAS PARA CONTAR

Os boletins informativos são uma ferramenta interessante para engajar o cliente e contar histórias.

Geralmente, a maioria dos boletins informativos enviados por advogados e empresas compartilham artigos sobre um assunto jurídico e relatam resultados da organização.

Para capitalizar a força da narrativa, pode-se aliar a eles estudos de casos que contam como as questões jurídicas estavam impactando os clientes, como os problemas foram resolvidos e como as soluções melhoraram a situação em questão (sem precisar dar nome claro aos bois).

Ao criar conteúdo para melhorar a sua marca pessoal, os advogados podem se concentrar no assunto e, ao mesmo tempo, trazer a sua vivência do dia a dia para que eles fiquem mais interessantes e mais fáceis de entender, criando diálogos, cenas e personagens como os encontrados em livros ou filmes. Dessa forma, as pessoas se envolvem muito mais, fazendo com que seu público vá se tornando maior.

Os advogados também podem falar sobre suas iniciativas pro bono, usando histórias de sucesso de verdadeiros heróis sociais… e como isso os motivou a fazer parte delas.

Mesmo as histórias de fracasso geram emoções e realçam a imagem do profissional como uma pessoa socialmente responsável.

Na era atual do marketing “boca a boca” exponencializado, os depoimentos de clientes também são histórias e, quando efetivamente combinadas e compartilhadas, podem ser de grande valor para a advocacia.

CRIANDO A HISTÓRIA

Para que uma história seja apreciada, ela deve ser real e as pessoas devem de alguma forma se relacionar com os valores que ela transmite.

Organizações – como escritórios de advocacia – também podem usar histórias para ajudar seus colaboradores e clientes a compreenderem a visão e o propósito que têm.

Hoje, os clientes estão mais inclinados a querer saber o que uma organização faz, por que isso é importante e como fará diferença para a sua vida.

A melhor maneira de comunicar essa mensagem não é por meio de fluxogramas ou diagramas, mas por meio de histórias que evocam imagens de onde as organizações vieram e para onde desejam caminhar.

Existem inúmeros exemplos de como as organizações se beneficiaram ao compartilhar histórias sobre suas contribuições e como elas impactaram não apenas a economia, mas a sociedade em geral. Dessa forma, são vistas como confiáveis e responsáveis e, assim, conseguem atrair mais comprometimento e respeito de seus stakeholders.

O QUE FAZ UMA BOA HISTÓRIA?

A melhor estrutura, elementos, técnicas e personagens dependem completamente do seu público. A mesma história pode ser apresentada de maneiras diferentes para persuadir pessoas diferentes a fazerem uma coisa específica, a não fazerem algo, ou a tomarem uma decisão.

Para ser um bom contador de histórias, é preciso ouvir histórias. E elas não faltam por aí.

Cada pessoa tem uma história e, por isso, os advogados devem começar a refletir sobre as suas, a fim de utilizá-las dentro dos limites da conduta profissional e ética, relacionadas às questões que estão enfrentando.

Como estratégia, isso pode ser um grande diferencial, pois cada história costuma ter uma perspectiva única e, portanto, pode transmitir mensagens da maneira desejada para o público-alvo.

Uma história estrategicamente alinhada pode não apenas ajudar as partes interessadas a visualizarem a mudança que o advogado, escritório de advocacia ou empresa pretende trazer, mas também pode solidificar o apoio e deixar as partes interessadas mais confortáveis sobre os resultados futuros.

Por fim, contar histórias é uma ferramenta poderosa. E uma história com uma narrativa bem elaborada amplifica tudo o que se deseja comunicar.